Van Gogh, arte e designers – comparações, coincidências e algumas (possíveis) conclusões.

Primeiro as (possíveis) conclusões.

O talento mágico, aquele com o qual uma pessoa é tocada no momento que chega a esse mundo (ou a caminho) não ekziste – assim diria Padre Quevedo – pelos menos no mundo da arte.

Algumas pessoas já haviam me dito mas eu sempre acreditei que alguém pudesse ter sido tocado magicamente. Eu pensava que talvez Van Gogh fosse um desses – um pirado que na sua loucura além de cortar partes do corpo pintava e sentia as cores como nenhum outro, talento fruto da loucura ou concedida a ele sem que precisasse fazer qualquer esforço. Até o dia que me deparei com o livro Cartas a Théo de Vincent Van Gogh. Um compilado de cartas trocadas entre Vincent e Théo, seu irmão, até o dia de seu trágico fim.

A segunda conclusão, talvez uma verdade (mas não absoluta), é que alguém só é realmente bom naquilo que faz se estudar o assunto a fundo. No caso das artes e do design, não somente esse assunto, mas tudo que o cerca; afinal são dos estímulos externos que artistas e designers extraem inspiração para criar – aqui a primeira coincidência!

Nós designers e Van Gogh o artista louco – coincidências e comparações.

Muitos não sabem, eu não sabia, que Van Gogh era um estudioso: literatura, história da arte, técnicas e arte contemporânea eram seu grande interesse, era aliás, seu único interesse logo que decidiu ser pintor, o que demorou bastante, ele tinha quase 30 anos de idade.

Nós, artistas ou designers, além dos interesses em comum com os de Vincent temos ainda que estar atentos a tudo que acontece no mundo do design e arte (que não é pouco) da música, televisão (por mais terrível que possa ser), internet, jornais, revistas, tecnologia, comunicação, moda, comportamento… tudo a uma velocidade que deixaria Vang Gogh tão louco a ponto de cortar também as mãos, pés, língua e furar os olhos. Viver na loucura hoje, diferente do tempo de Van Gogh, nem é tão louco assim.

Para registrar (e inspirar): Van Gogh gostava de Shakespeare, lia Balzac, Vitor Hugo e livros técnicos, biografias de artistas, admirava os franceses Corot e Delacroix e tantos pintores da história como seus contemporâneos, visitava museus e galerias e era um grande observador, fato que o tornava crítico e possuidor de apurado senso estético. Ele era principalmente um estudioso da cor: das técnicas, da cor física, da cor científica, como a Teoria das Sete Cores de Newton. Van Gogh porém tinha suas próprias teorias que concluía através do estudo constante da aplicação das cores, ele chegava até mesmo a discordar de Newton:

“…Newton chamou de primitivas: o violeta, o índigo, o azul, o verde, o amarelo, o laranja e o vermelho; mas é claro que o termo primitivas não pode convir a três destas cores, que são compostas, pois o laranja se faz com vermelho e o amarelo, o verde com o amarelo e o azul, o violeta com o azul e vermelho (…) é preciso portanto, reconhecer, com os antigos, que na natureza há apenas três cores verdadeiramente elementares, as quais misturando-se duas a duas engendram três outras cores compostas ditas binárias: o laranja, o verde e o violeta.”

Van Gogh assim como nós designers, buscava inovar em seu trabalho, foi por esse motivo como sabemos, que ele teve – apesar da demora de 100 anos – todo reconhecimento merecido como um grande artista. Para ele, assim como para nós, não era nada fácil. Naquela época como agora a maioria das pessoas gostavam de seguir clichês poucos eram os que tinham coragem de inovar, ir contra a corrente; sabe aquele chefe ou cliente que pede para que você faça algo parecido com o que fulano fez? Você tem clientes ou chefe, Van Gogh tinha os marchands, que pediam que fizesse quadros parecidos com os dos pintores de sucesso na época ou pintasse temas diferentes dos que ele fazia.

A grande dica talvez seja que nós devêssemos, assim como Van Gogh o fez, observar tudo que já existe e já foi feito (pois tudo já foi criado e inovação é bem diferente de invenção) em busca de algo que possa ser recriado com características e peculiaridades diferentes das existentes, é identificar algo que ninguém antes percebeu, é aquele olhar que é só seu, é reinventar, é atribuir um novo valor ao que já existe — inovar. Essa busca pela inovação é a grande coincidência entre ser designer e ser Van Gogh.

Um pensamento sobre “Van Gogh, arte e designers – comparações, coincidências e algumas (possíveis) conclusões.

  1. Todo pretendente a designer deveria ter isso em mente. É possível fazer grandes trabalhos sem que sejam inovadores, mas a busca pela inovação deve ser a força motriz de todos que trabalham com criação, ainda que não sejam artistas.

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